Publicado por: partenope | agosto 22, 2008

Notícia de última hora

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Wagner Campelo http://padronagens.wordpress.com

Pousou em minha janela, com suas delicadíssimas asas negras povoadas por vermelhos e brancos. Ficou olhando para o azul da paisagem, abrindo e fechando suas pernas aéreas, naquele movimento descomprometido dos lepidópteros.

Eu, fincada em pesadas pernas de gente, só pude arrancar os olhos da tela do computador e pousá-los sobre minha companheira fortuita. Pensei em um momento que ela pronunciaria uma palavra, ofereceria um sinal, desbravaria a fronteira do indizível.

Tolice! Borboleta quer lá representar devaneios de Cortázar? Em seus três meses de existência (estaria no terceiro?) viveria, voaria e falaria como borboleta. Nem mais uma antena, nem menos. E foi assim que ela partiu, sem concessões. Porque, francamente, esse papo de borboleta…

Publicado por: partenope | agosto 22, 2008

Depois da Alma Imoral

Termino a leitura do livro A Alma Imoral, best-seller do rabino Nilton Konder. Já se passaram alguns meses desde o meu primeiro contato com a obra, que aconteceu por meio da excelente adaptação para o teatro feita pela atriz carioca Clarice Niskier.

E escrevo a um amigo:

Creio que a proposta de uma vida que maquiniza a mente e enclausura a alma chega a ser obscena. A alma precisa de espaço para espreguiçar-se, dançar, subir corredeiras. Suas fronteiras são realmente maiores que o espaços de nossas agendas e resumés. Tão mais amplas que, no mundo do corpo, não há medida capaz de mensurar o tamanho dessas terras infindas.

Desdenhar esse conceito implica em deixar de desenvolver o potencial que nós, como seres humanos, temos armazenado desde os primeiros instantes de nossa existência.

Silenciar a alma é deixar de viver e ver a vida e, ao longo do tempo, essa decisão afeta de forma decisiva nosso corpo, nossa história e, em conseqüência, as histórias de quem nos rodeia. Perder a alma é deixar de oferecer ao mundo o melhor de nós mesmos. É um ato que não afeta apenas a nós mesmos, mas as pessoas que convivem conosco.

É preciso fechar os olhos, abrir o peito e dar um passo no escuro de nós mesmos para entrar nesse território invisível da alma. Sem o julgamento do olhar condicionado, sem os medos do passado.

E, aí, serendipity! Nossa curiosidade atávica nos levará de volta às essas terras ancestrais.

Publicado por: partenope | agosto 22, 2008

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