
Wagner Campelo http://padronagens.wordpress.com
Pousou em minha janela, com suas delicadíssimas asas negras povoadas por vermelhos e brancos. Ficou olhando para o azul da paisagem, abrindo e fechando suas pernas aéreas, naquele movimento descomprometido dos lepidópteros.
Eu, fincada em pesadas pernas de gente, só pude arrancar os olhos da tela do computador e pousá-los sobre minha companheira fortuita. Pensei em um momento que ela pronunciaria uma palavra, ofereceria um sinal, desbravaria a fronteira do indizível.
Tolice! Borboleta quer lá representar devaneios de Cortázar? Em seus três meses de existência (estaria no terceiro?) viveria, voaria e falaria como borboleta. Nem mais uma antena, nem menos. E foi assim que ela partiu, sem concessões. Porque, francamente, esse papo de borboleta…
